BÚSSOLA MORTA

Não sei para onde vou
Não sei onde estou
Não sei o que sou

Não sei de onde vim
Não sei porque vim
Não sei o que há em mim

Não sei o que busco
Não sei se me ofusco
Não sei se sou brusco

Não faço questão
Não peço perdão
Não beijo o chão

Caminho alagado
Caminho infundado
Caminho sem fim

Escolho o que quero
Desperta meu sério
E espero sorrindo

O mistério do caminho
O caminho da rua
A rua do mistério

Não quero mais nada
Só quero meu tudo
Nem sei o que é meio

Entro no vazio
Saio do todo
Só sinto a metade

A luz não acende
A cruz me suspende
Calvário me sente

Me ponho a chorar
Me ponho a sorrir
Me ponho a me por

Tenho meta e me acabo
Acaba minha meta
Dou cabo de mim

Resido na procura
Resíduo de busca
Procuro meu fim

Não sei para que sirvo
Não sei para que vivo
Não sei se estarei vivo

Vivo para ver
Vivo para conhecer
Vivo para viver

Meu mote é seguir?
Meu mote é esperar?
Meu mote é mudar?

Tracejo amanhã
Desenho só hoje
Rabisquei o meu ontem

Vou embora daqui
Vou pra onde eu me vi
Vou sem norte
Morri.

João Aranha

10/06/2013

Publicado em: Poemas

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