Viva o Verão!

Viva o verão!
Viva!
Viva o suór do verão que me deixa prostituto só de pensar no exagero que ele traz consigo!
Calma, leitores calorentos, eu não odeio o verão. Claro que não. Eu gosto dele, contanto que ele venha, sempre, com moderação. Por assim dizer, viva a merda que é o verão em lugar errado. Explico.
Gisele Bündchen, em recente filme publicitário, dizia: “O verão é a melhor estação do ano”. Pausa, João. Pausa. Respira fundo. Agora vai: AONDE QUE O VERÃO É A MELHOR ESTAÇÃO DO ANO? Ela diz isso. Lógico. Ela tem motorista particular, tem ar-condicionado, tem praia quando quiser, tem piscina, ofurôs e mais quaisquer acessórios para se refrescar no verão que, por assim dizer, pra ela, nunca é sentido, mas sim, bem curtido. É claro que ela diz isso. Ela por acaso pega o Socorro no Terminal Bandeira até o Largo 13 esmagada por dezenas de pessoas suadas e coladas ao seu corpo? Ela anda pela Faria Lima, pela 25 de março, pela Teodoro Sampaio embaixo de 38 graus calorentos em demasia fazendo a testa cair de tanto suór, testa que surge de uma outra crosta na própria testa fazendo uma segunda testa? Então, tá. Assim eu também amo o verão, e por isso venho aqui desabafar diante o bafo quente que ele insiste em trazer para nos molharmos de pura sudorese descabida sem que a água exigida sequer se apresente, ou melhor, quando vem a água, esta sim, vem em demasia, molhando tudo, alagando tudo, enchendo tudo e acabando com a vida de diversas (para não dizer milhares) pessoas dentro da capital paulista. E pra não dizer só da capital, diria que, cidades que não têm praia ou alguém que não tem piscina em sua casa na cidade, definitivamente, não podem ter o verão citado pela modelo. É claro que é um filme publicitário, não a culpo, mas, reflitam a frase proferida. Não tem como aceitar um calor de 38 graus na sua cabeça durante o dia e, quando vem uma chuvinha para acalmar, vem 500 bilhões de litros que não param mais de cair por sobre as nossas cabeças, telhados, cabeças pouca telha e cabeças de pessoas que nem telhado tem, enfim. Aliás, o ser humano é um ser engraçado. Quando esquenta demais, ele precisa se refrescar com algo gelado. Quando esfria demais, ele precisa de algo para se aquecer. Somos uns idiotas. Talvez eu seja o maior deles, só de vir aqui perder meu tempo escrevendo uma bobagem como esse texto aqui, mas enfim, era só um manifesto para dizer que, verão não é para São Paulo. Verão é para curtir na praia, no campo ou na piscina. Verão na Cardeal Arco verde, na Consolação, na Heitor Penteado, no busão, nas ruas, avenidas, túneis, passarelas, viadutos, esquinas, escadas, ladeiras, corredores e afins, enfim, não é bem-vindo.
Sei que sou chato, mas o que mais me irrita é o povo dizendo pelas ruas, assim que o astro-rei resolve dar as caras após São Pedro deixar o registro aberto por dias inteiros: “Ah, o sol, o verão, ai que delícia!”. Ai que merda, isso sim. Eu gosto de mulheres com vestido, mas não uso vestido, entendem? Eu não fico com minhas partes íntimas totalmente ventiladas como as encantadoras, delicadas e charmosas mulheres ficam. Mal saio do banho e quero entrar de novo. Aí sempre vem outro herdeiro de meretriz dizendo a velha máxima: “Mas banho quente no verão é pior…” Não adianta, água quente, morna, fria, gelada, ou “glacial station plus master Norway gélida blasé”, não adianta. Você sai do banheiro e, ao sair de casa (lembrem-se, eu não tenho motorista com ar-condicionado no carro, ok?), já se inicia o processo de nascimento da primeira gota de suór que se prolifera em micro segundos fazendo as costas sentirem um córrego salgado querendo ir de encontro a outro canal protegido. A bolsa escrotal se encontra abaixo dos joelhos, testas duplicadas por crostas, pescoço grudando, mãos sujas só pelo fato de estar calor, todas as articulações sendo coladas, e por aí vai… Viva esse verão que os bundas-lelês adoram e insistem em dizer que é uma maravilha. É uma maravilha sim, mas não em São Paulo. Suór tem de vir durante o sexo, e não antes mesmo de xavecar. O bacana é se aquecer até explodir e não chegar pingando antes do prazer maior. A não ser que seja na piscina, na praia, no ofurô, mas não na Paulista, em Pirituba, no ponto da Rebouças, onde se espera, entre um zig-zag de ônibus, um mínimo de zig-zag de um vento que não existe.
Isso sem falar nos mosquitinhos adoráveis que entram nas narinas sem avisar, sem passsar o crachá na catraca. Sem falar das borboletinhas eufóricas que não podem ver luz que se abundam todas fogosas, até na televisão e monitores de computador é local ideal para aquecer o ânus ou a piriquita da invertebrada baladeira. Sem falar dos pernilongos vampirescos insistentes por sangue ao verem janelas abertas e corpos dormentes sem lençol. Sem falar nas simpáticas criaturas das trevas abomináveis, as baratas grotescas e cascudas amarronzadas vindas em corridas vis, com suas pressas que infernizam nossas vidas, nossas casas, nossas almas, isso quando não vêm pelos ares… Ah… viva o verão! Viva a melhor estação do ano!
Me desculpem, pessoas, eu gosto do verão. Gosto se ele não viesse com esses minúsculos descontentamentos. Sou mais o delicioso inverno, onde hibernarei no cobertor que não gruda, no sexo delicioso e mais quente, na vida com o suór necessário de cada dia, e não com o suór gratuito, sem o mínimo esforço.
O aquecimento é global. O sofrimento é inevitável.
E tudo pode piorar.
Vocês verão.

PS) Me desculpem. Escrevi isso no calor do momento.

João Aranha

21/12/10

Publicado em: Crônicas

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9 comentários em “Viva o Verão! Deixe um comentário

  1. VIVA O JOÃO [2].
    O verão deixa as pessoas mais histéricas (vide outras regiões do país). Prefiro um clima mais ameno, nada de gosmentice, por favor.
    Baccio!

    1. Obrigado, linda. Obrigado por compartilhar essa dor oriunda de temperatura exacerbada e sem propósito de fazer o bem.
      Obrigado pelo elogio também.
      No calor do momento, ou não, agradeço…rs.
      Beijos.
      João Aranha

  2. é… realmente devia estar muuuito calor qdo vc escreveu…hahaha…
    gostei do: “Escrevi isso no calor do momento.”…rs
    bjo.

  3. Parece comico mais é terrível mesmo. Não maltrate a natureza, tá vendo o que
    dá não seguir os bons conselhos…Pior que nem foi vc que jogou todo esse concreto no mundo, zuou o sistema falido de transporte ou deixou a chuva ácida. Que saco, heim! Suores à parte ri muito do seu estado prostituto e no final pragmático: vcs verão.

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