UM VILAREJO PARA MORAR

Olá, pessoas! Há um bom tempo que não apareço por aqui. Muitas coisas aconteceram com o meu ser, muitos problemas a resolver, muita correria pra lá e pra cá, metrô pra cá, ónibus pra lá, carros acolá e a pé eu vou lá. Por fim, em meio à tantas coisas negativas, ou não, claro, pois apesar de tudo, sou um sobrevivente desta selva de pedra e cá estou eu a, novamente, redigir minhas inúmeras e intermináveis linhas neste espaço virtual. Linhas estas que são redigidas calmamente nesta sexta-feira quente, corrida, atarefada, mas, ainda bem que existem coisas que aparecem em nossos ouvidos quando a gente precisa.
E momentos onde a gente só ouve notícias sobre tragédia, violência e corrupção, nada melhor que ouvir uma coisa simples em nossos tímpanos, o bom remédio que Deus inventou para os seres humanos que ainda são humanos: a música.
Sim, pessoas, falo de música. Não, não vou falar de política, mesmo porque não entendo do assunto, não vou falar de crateras que, infelizmente, levaram pessoas embora, não vou falar de corrupção e violência porque outras pessoas vivem falando disso por aí e sempre, e também infelizmente, vamos ouvir falar sempre. Venho aqui falar de canções, um mote simples, sem alarde e talvez até sem motivo para escrever, mas não me contive ao ouvir um som que me chamou a atenção e chamou a atenção das minhas trompas de Eustáquio e também deu uma cutucadinha no meu sistema cardio-emocional e, pra variar, um ser que acredita em uma vida melhor, abriu as janelas da minha alma. Nossa, vocês devem estar pensando que eu vou falar de alguma ópera, mas não, falo de uma música simples e bonita que me tocou muito, uma nova canção da ótima e autêntica Marisa Monte, a canção Vilarejo.
Entre um job e outro aqui na agência, meus ouvidos são educados com boa música, as antigas para refletir quão boas eram e as recentes que estão aí para provar que ainda existe boa música para todas as pessoas de bom gosto. Bem, como bom gosto é uma coisa relativa, pode ser que alguns não concordem com a minha opinião, mas o que quero dizer é a reflexão que a boa música faz com as pessoas e em seu interior. Sim, elas têm o poder de transformar as pessoas, mesmo que seja momentaneamente, não importa, o que vale é a intenção das notas que preenchem as nossas vidas.
Bom, sou suspeito para falar de notas pois, como sou músico (um aprendiz de guitarrista), não vou falar de lá maior, dó sustenido, tampouco mencionarei um si bemol meio-diminuto (eu amo este acorde), falarei da poesia que as boas músicas passam. Pois bem, voltando ao vilarejo em que eu estava, esta música para mim tem uma melodia ímpar, simples e tocante (e olha que este tocante me fez repetir umas 12 vezes, SEGUIDAS), uma harmonia que está em harmonia com os sentimentos humanos, (não resisti, coloquei-a de novo aqui no simpático mac que me ajuda a executar boas idéias), em coerência com os desejos das pessoas, uma calmaria de acordes bem resolvidos e embalados pela maciez da voz de Marisa. Quem me conhece sabe que uma das frases que sempre digo é: “Música boa pra mim é música triste”. Me desculpem os mais animadinhos que adoram um bunda-lele pulando sem noção, mas eu também adoro bundas, e sou lelé, muito lelé, mas as pessoas não reparam que a música triste não é triste, ela é fiel à realidade da vida. Esta composição mostra uma branda atmosfera de emoções e expectativa de realizações pessoais. Um relaxamento emocional que é permeado pela cadência perfeita de tempo, de poesia, de beleza musical. Letra simples que mexem com os sentidos de um ser romântico como eu e, acredito, muitos dos também que estão por aqui lendo quase sem paciência este ser que não consegue parar de escrever.
Um vilarejo que Marisa mostra delicadeza aos montes, uma brisa de Marisa neste monte de encanto. Uma pitada de refinamento (ah, como eu gosto de coisas refinadas, mesmo estando pobre nos bolsos), uma dose exata de sentimentos finos, clima de tristeza poética, um sufocar bonito, uma alegria solitária, uma busca pelo entender e realizar de si mesmo, que fala por si, e esse si é maior, maior que muita coisa.
Pergunto a vocês, como a música faz a gente ser tocado? Uma música é para ser tocada para todos e todos devem ser tocados por ela. Essa é a diferença de uma boa música perante às muitas outras de teor duvidoso. A arte foi feita para tocar as pessoas, mas muitas pessoas não as tocam e muito menos se tocam. Preferem ritmos fáceis e letras sem conteúdo para bundalorizar o mercado fonográfico. Existem pessoas que escutam música, mas raras ouvem. O mesmo ocorre com a sétima arte (demorou desta vez, hein, João?), pois a maioria das pessoas assiste aos filmes, mas raras enxergam estas películas. Tem que entrar a imagem na cabeça das pessoas através da retina e manter seu bom conteúdo na mente, e a música, esta deve dar o seu rolezinho nas já citadas trompas do Sr. Eustáquio e permanecer lá, na caixinha de emoções loucas chamada cérebro.
Olha, a canção em questão está dando looping aqui na minha máquina que tem momentos que quero falar de cada palavra, mas isso seria impossível e mais entediante ainda para vocês, pacientes e corajosos leitores. Mas essa aveludada voz, que mais parece um caminho de fluidez verbal e com inocência de menina enamorada com a maturidade e desenvoltura para dizer o que quer e que todo mundo quer e gosta de ouvir.
Talvez estejam indagando: “Nossa, porque o João está elogiando tanto assim a Marisa se nem um CD dela ele tem?” Não importa se o material eu tenho ou não, o que importa é que está na minha mente toda a poesia, a melodia e o sentimento delicado que essa música passa ou quer passar.
Mas o que gostaria de finalizar é que, num dado momento, ela faz (ou pelo menos fez comigo) a gente pensar numa coisa melhor pra nôs mesmos, pensar em coisas bacanas e boas e é isso que as boas canções fazem com a gente. Quem pensa que eu adoro só músicas assim se engana, pois andando pelas ruas, metrô, ónibus e afins, estou ouvindo meus rocks, pesados ou não, pois eles também passam emoções, de outra forma, talvez, mas passam coisas boas e, voltando a insistir, músicas tristes, para mim, são as que me deixam mais alegres e as alegrinhas me deixam irritado. Ué, João, e o seu rock é triste? Não totalmente, mas acredito que o bom rock se faz de dois jeitos (pelo menos para este ser maluco): ou o rock é bom porque ele é forte, pesado e dão um punch nas idéias ou ele carrega uma melancolia que nos faz suspirar atrás de alguma coisa que talvez nem saibamos o que é.
Bom, pessoas, finalizando de verdade, ficarei por aqui pois preciso pegar o metrô e voltar ao meu vilarejo, que pode não ser igual ao da Marisa, mas, internamente, existe dentro do meu coração.
Podem achar que o pequeno João Aranha está emotivo hoje, pode até ser, mas essa emoção eu carrego todos os dias, sorrindo ou não, desde o dia 9 de novembro de 1972. Disseram que eu nasci nos anos de chumbo da ditadura. Pois é, talvez a dita, bendita e dura vida, com seu pesado chumbo, tenha deixado a minha pessoa capaz de enxergar a leveza das coisas.
E lembrando, quando puderem, e quiserem, visitem este vilarejo e, se puderem, comprem uma casinha por lá.

Um beijo a todos,
(sem crise e sem crase)

João Aranha

19/01/2007

PS) Isso porque eu nem falei nada do Coldplay…

Publicado em: Crônicas

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