TINTA

Tinta

Tinta no papel
Sempre
Ela no papel
Ele na tinta
Tinta que tenta
Fazer o papel
Papel dela
Papel de muitos
Papel de mitos
Papel de mistos
Papel da mente
Mente que mente
E desmente
A demência de um poeta
A clemência de um profeta
Que entra em alfa
Que entra em beta
Mas o que importa
É se gama
Se engana
Se finge
Se vive
Se declara
A clara voz
Que soa baixo
Que grita alto
Em belo contralto
E no estribilho
Não sei se brilho
Não sei se vibro
Mas sei que vivo
Este é o meu papel
Este é o seu papel
Um papel que sinta
Que sinta a tinta
Que não minta a tinta
Que tente o que sente
Que invente
Não mente
No ideal
No singular
No plural
No fiel
No papel
De escrever
Do inferno ao céu
O inocente e o réu
O amargo e o mel
A feia, a linda
O feio, o boa pinta
E no papel, uma pinta
Um ponto, uma linha
Mente que finda
Num papel que pinta
Um pintor de idéias
Que chora sempre junto
Com a sempre amiga tinta.

João Aranha

10/08/2006

Publicado em: Poemas

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