REDAÇÃO DO JOÃOZINHO: “EDUCASSAUM. EU NAUM LIGO MTO PRA ISSU.”

Outro dia, uma quarta-feira com cara de quarta-feira (não me perguntem por que eu escrevi essa bobagem, me veio agora), bom, estava saindo da agência lá pelas nove horas (afinal, eu sou cheio delas), ou quase isso, e resolvi ir ao cinema, pois fazia um tempo que não ia, desde a última Mostra (que vergonha), mas era ou por insuficiência monetária no meu caixa ou por ausência de tempo no meu tic-tc, entendem? Bom, eu precisava me purificar, é sério, o cinema me purifica. Claro, o bom cinema, pois os blockbusters me deixam agoniado e triste: agoniados em ver que a maioria das pessoas, algo em torno de 112,44% das pessoas que não se cansam em ver o mesmo filme desde a época em que a sessão da tarde era boa, e hoje ela está mais para tarde do que para uma boa sessão. E triste se caso eu mesmo ver estes filmes, por saber que as falsas e descabidas alegrias que injetam na película fazem as pessoas acharem que o mundo só é bom quando estamos com pipocas gigantes nos colos forrados de sal e com as mãos cobertas de glicose melada por causa de malditos combos de Itu.
Bom, o que quero dizer nem é sobre cinema, nem Oscar, nem Sundance, pudera Cannes, muito menos sobre pessoas que vão ao cinema para assistir pipoca e guaraná, num desfile de cocotas e oco blábláblá. Vim aqui, na minha pequena casa virtual, só para comentar um pouco sobre o filme que vi e que muito gostei: “Pro dia nascer feliz”, do (já estou virando fã) João Jardim.
Esse documentário mostra, ou pelo menos o pouco que mostra, mostra tudo sobre a educação do país, ou seja, o nada. Em primeiro lugar, gosto do olhar desse João, esse cineasta que tem um grande jardim na sua mente, fértil de bons olhares, espírito crítico e beleza imagética. Bom, quem sabe um dia um outro e pequeno João chegue ao menos perto deste jardim de idéias viáveis, construtoras e bonitas.
Bom, o que me chamou a atenção foi que o doc em questão mostra a atual situação da educação no Brasil, permeia estados como Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Enfim, o retrato que ele mostra é triste, muito triste. Uma das coisas que me chamou a atencão foi já no início, onde surgem os caracteres brancos naquele fundão preto: “O Brasil possui 210.000 escolas. 14% não têm banheiro.” Bom, as outras estatísticas são alarmantes, não posso dizer aqui quais são porque eu seria um contador mais chato que esse fraco redator aqui, mas posso garantir que as percentagens que vi sobre níveis de alfabetização, formação, aprovação, reprovação são bons motivos para se pensar. Pensar e rezar.
Deixando as estatísticas de lado, o filme tem seus momentos engraçados, óbvio, mas são momentos de riso triste, somos condicionados a sorrir (calma que o negócio está longe de rirmos segurando nossas fartas barrigas) por uma questão de inconformidade, uma catarse não catártica, uma piada densa, um agradecimento piedoso.
No decorrer do filme vemos várias crianças e adolescentes com seus depoimentos (menininha linda a do Recife, que dizia com aquele sotaquinho de menininha nordestina que preferia ir à escola do que ficar em casa vendo televisão, sim, eu adorei ouvir isso), alguns engraçados, poéticos, outros lamentáveis e impactantes. Em determinado trecho, o roteiro desloca-se aos mais fartos no bolso, passando por colégios particulares da capital paulista onde percebemos as diferenças em tudo quanto é lugar: cabelos, pele, cor, jeito, moda, pensamentos, idéias, materias, infra-estrutura, enfim, todas as diferenças que estamos acostumados a ouvir, mas muito pouco acostumados em ver.
O que me deixou meio parado, sim, parado, foi o depoimento de uma das garotas, dos colégios menos favorecidos, a qual matou uma menina na escola, por motivo de briga e briga feia. Bom, até aí a gente vê nos jornais, mas o problema é ouvir em uma das suas palavras (inocentes ainda em certo ponto de vista) que, como a menina “um dia iria morrer mesmo, ela somente adiantou o serviço”…………..eu fiquei “meio” sem palavras neste momento…….
Aí, mudando de cinema para jornal on-line, vejo a notícia de que o governo vai investir cerca de R$ 8 bilhões em educação, com foco principal na educação básica. Aí eu digo: Bacana! Agora o país tem solução!
Solução? Não vejo muito não. Como disse um dos entrevistados nas escolas (que pretende prestar Filosofia ou algo deste segmento): “O Brasil não está melhorando. Se estivesse melhorando não existiria tantas ONGs e instituições por aí afora”. Cara, eu adorei esse garoto, pois eu, na minha tosca tese, sempre dizia, se as coisas estivessem numa boa não teria tanta passeata, ONGs e afins para tentar ajudar a reverter ou acondicionar melhor os fracos e oprimidos. E digo isso em todos os segmentos possíveis, como o da saúde (esse eu não acho saudável comentar), segurança, responsabilidade social, sustentabilidade, meio ambiente e o escambau. Falando em escambau, o que liga é o carnaval! Eu? Passo mal.
Voltando… É triste ver como aqui e ali a educação não mais existe. Se ela existe, aonde ela está? Deve estar em recesso escolar. Ou, melhor, eu acredito que a educação do Brasil repetiu de ano, bombou, tomou pau! E quer saber? Acho que ela deveria ir para conselho, sinceramente. E sem essa de progressão continuada (progressão???). Acho que a educação do Brasil deve ir à escola, atravessar a rua com cuidado, dar beijo na mamãe antes de entrar no pátio, levar uma maçã para a tia, fazer a lição no quadro, fazer a lição de casa e, principalmente, brincar menos nesse recreio de séculos com lanchinho vencido na lancheira. Na hora de tocar o sinal, voltar quietinho para a sala de aula e, com muita atenção e obediência, respeitar o professor.
Gostaria também de dizer para todos os governantes que voltassem a estudar. Voltassem a estudar suas pastas de ministério, com ou sem elástico. Gostaria muito, mas muito mesmo, que todo o Brasil voltasse a estudar antes que bata o sinal e fiquemos de recuperação mais uma vez.
E, urgentemente, gostaria também que as autoridades, claro, fizessem alguma coisa pela educação e não por educação.

Bejaummm pra todus. Amu vossêis.

Joãozinho Aranha

(que sempre sentou no fundão)

06/03/2007

PS) Esse pequeno texto não é nenhuma crítica de direita ou de esquerda. Apenas um desabafo central. Todos os direitos e esquerdos são reservados©.

Publicado em: Crônicas

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