POESIA E CONCRETO

Aqui me vejo
Aqui me encontro
Aqui me noto
É estranho me estranhar
Mas nada estranho te estranhar
Está aqui, estou aqui, estamos aqui
Garoa cinza em céu azul
Foge a ilusão, cai a verdade
Lota tudo, corre, passa
E ultrapassa quem vacila
Já tem fila, toca, anda
Abre a porta pra eu entrar
Sou mais um neste mar rijo
E me corrijo se eu falhar
Anda reto no sobe e desce
E me aparece pra ficar
Lindos rostos a encontrar
Pedra firme, um patamar
Gente boa, gente forte
És insana mas tem porte
Para teus bens, meus parabéns!
Acorda cedo e à noite ginga
Dos simples campos de Piratininga
Um pobre João, talvez João Carlos
Já foi da Vila, a de São Carlos
Tão louca linha que já me guia
Corro atrás da minha valia
Na quente respiração
Deste frio hálito
Envolve tudo, envolve todos
Terra que anda, engarrafa, manda
Mais um sertão a desbravar
Por que ser tão disciplinar?
Norte, Sul, Leste, Oeste
Fico no centro a trabalhar
És cômica, és rude
És amiga, és desfrute
Nunca dorme anoitecer
Vai pro país o teu crescer
Tão desvairada, fica molhada
A Paulicéia tem sua fada
Quem tem fé desce na Sé
Dizem que é exagero
Talvez até demais esmero
Eu noto, sou tantã
Abro a janela, Butantã
Sozinho corro, ligo, acordo
Pago sufoco, estou à bordo
Não sou Caetano
Tampouco Adoniran
Bem como os tons Jobim e Zé
Só puxo a corda
Nesse ponto eu desço
E agradeço
Quem te pinta e borda
Podem xingar
Te maltratar ou falar mal
Por mim continuas bela
És imponente
És capital.

João Aranha

26/01/2005

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