O ADÁGIO PEDE PLÁGIO

Olá, pessoas!

Faz um tempo que não posto nenhuma crônica aqui, posto que faz tempo que não escrevo nenhuma, óbvio. Em primeiro lugar, porque eu queria escrever sobre vários assuntos e, ao mesmo tempo, e talvez por este motivo, sempre acabava não definindo o que eu queria colocar nas linhas, em segundo porque, mesmo com uma demasiada vontade de regurgitar inúmeros pensamentos e idéias não via nenhum assunto interessante para escrever, mesmo porque o assunto até poderia ser interessante, mas o autor aqui não estava muito interessante, ou melhor, o cérebro não estava em sintonia com as mãos e, em terceiro, talvez até o maior motivo, nunca dava tempo de sentar na minha mesa e começar algo, nunca, e pior, quando dava tempo, o já mencionado cérebro não estava disposto a labutar, bem como minhas, também já citadas, mãozinhas brancas também não estavam predispostas a bater com voracidade nos teclados escuros daqui. Enfim, após esta pífia, oca e prolixa introdução, tentarei iniciar algum texto, que tenha contexto, ou não.
Estava eu, sentado no puff que hoje mais parece uma esfirra de queijo fria e pisada) do apertamento (isso mesmo, você leu apertamento, essa é antiga, mas eu quis colocar) assistindo à TV, mais precisamente o telejornal, quando vi, ouvi e ri sobre a notícia do Nélson Piquet ter perdido sua carteira de habilitação por tantos pontos acumulados por excesso de velocidade. Sim, eu ri, achei muito engraçado mesmo ver o nosso tri-campeão sentadinho na cadeira do Detran fazendo aulas de direção defensiva ou coisa parecida. Enfim, achei muito cômico vê-lo todo quieto, prestando atenção no professor, mas, na realidade, o que eu gostaria de dizer não é bem sobre este fato ligeiramente hilário, muito pelo contrário, apesar dos risos em alto e bom tom (sim, eu rio sozinho em casa, falo com a TV, choro, xingo e questiono tudo em voz alta mesmo), eu fiquei pensando seriamente neste negócio de punição. Com o fato engraçado das cenas assistidas eu, particularmente, gostei muito de ver que as coisas estão acontecendo, digo as coisas que se têm de fazer para que as infinitas coisas possam dar certo nesta coisa chamada país…que coisa, né? Fiquei contente de ver, como até um aluno entrevistado também disse, que pelo menos estão cumprindo as leis mesmo com famosos e endinheirados. Não, isso não é uma defesa minha sobre o governo, mesmo porque não tem muito o que defender ultimamente sobre os três “poderes” brasilienses, pra não falar brasileiros. E é aí o ponto onde quero chegar.
Pensei (pra variar, sempre pensando besteiras, mas pensei em uma que faz tempo que tinha pensado), pensei, pensei e…porque não fiscalizar, multar, punir, ou sei lá mais o que, por parte deste governo desgovernado, as pessoas que jogam lixo nas ruas? Já pensou?
Estava analisando que nunca o cinto de segurança foi obrigatório e que, há quase dez anos (é isso mesmo?) bastou o governo cobrar multa pelo não uso da camisa da Ponte Preta ao dirigir que todo mundo saiu usando (sim, uns adorando, outros detestando), mas no começo foram só temas desgastantes na mídia televisiva e impressa sobre o fato mas que, querendo ou não, não se fala mais nisso atualmente. Ou seja, foi chato ter de ficar vestindo a camisa do Vasco (tá, vai que tem leitores cariocas por aqui…), algumas mulheres, talvez, achassem chato ter uma faixa dividindo os seios ao dirigir (eu, particularmente, acho muito sexy mulheres com esta faixa transversal que proporciona uma protuberância feminina deveras interessante…se é que me entendem…), outros executivos talvez se indignassem com o conseqüente amassar das camisas minutos antes de reuniões importantes mas, depois, acostumamos, sim, acostumamos, talvez pelo fato de não querer pagar por mais um hábito, ou mal hábito, mas acredito que a maioria das pessoas (pelo menos eu penso assim) pensa em não pagar um preço muito mais alto que um simples, fatídico e inconveniente boleto: o preço da vida.
Partindo deste princípio (o do assunto, não do texto, pois este já está lá em cima), por que o governo federal, estadual, municipal, ou até todos juntos (aêêê…festinha) não multam estes seres idiotas e insensíveis (tenho certeza que essas pessoinhas não gostam de arte) quando jogarem sequer um pequeno pedacinhozinho, inhoinho, titiquinho de nada, papel de bala? Olha, sei que vão reclamar, vai virar matéria nos jornais, discussão em mesas de bar (essas eu adoro, estou sempre lá), assunto de tia que visita prima que mora longe, vai virar papo de cunhado que não vai com a cara do cunhado no churrasco, enfim, vai virar notícia até no palácio de Buckingham, mas, veja pelo lado bom: talvez funcione.
É João, mas e as criancinhas sem noção que jogam tudo no chão? Claro, esta estariam na categoria de não-estapafúrdios, por não saberem o que estão fazendo, sem dúvida. Mas e os adultos sem noção? Bom, esses entram na categoria super-estapafúrdios, sem dúvida. É o que sempre venho (e vou) dizendo: se os brasileiros adoram os Estados Unidos, adoram os filmes toscos, explosões, roteiros fraquíssimos e manjados americanos com seu universo kitsch na vida real e nas telas, que amam um seriado de mulheres bonitas, gostosas, peitudas (não sou hipócrita, eu adoro peitudas também), que adoram rostinhos de barba feita e musculosos bombados e ocos, por que não copiam as coisas que os americanos sabem fazer? Respeitar as leis do jeito que devem ser respeitadas eles fazem bem. Por que não fazemos um benchmarking das coisas boas? Não, só copiam o que é ruim, fútil ou nocivo à sociedade. Depois vem brasileiro estúpido que morou nas terras do tio Sam dizendo que lá é tudo limpo, mas que aqui não acontece isso e quando termina de dizer joga um pacote de lanche de fast food pela janela do carro com total desinteresse por evoluir-se. Por que? Multa então! Multa! O país já está acostumado a pagar impostos, muitos deles desnecessários e exorbitantes, mas este nem precisava ser caro (faturariam absurdo do mesmo jeito), mas seria por uma boa causa, uma multa onde estariam vendo, literalmente, a limpeza das cidades. E espero que sejam limpos também no destino destes valores recebidos pelos contribuintes desavisados, ou (na maioria) não. Se queremos uma cidade limpa, comecemos a limpar nossas mentes primeiro neste sistema frágil, nada ágil, que precisa de um plágio, e dos bons.
Posso estar exagerando, sei que sou exagerado e fico irritado com coisas erradas, mas acho que seria uma boa alternativa, visto que aquecimento global é a pauta do século e que o senhor orelhudo engravatado poderosos não quis assinar o protocolo de Kioto inicialmente (putz, esse cara é formidável), acho interessante começar a dar um presta atenção nas pessoas que poluem rios, mares, ruas e afins.
A água vai secar, o mundo aquecer, a camada do nosso famoso ozônio indo pra outros ares e a população rindo num carnaval de copinhos descartáveis desejando sediar uma Copa do Mundo onde a copa está tão suja quanto a cozinha e, assim, não dá pra fazer sala, nem pra inglês ver a mesinha de centro recém perfumada com Veja Multiuso até nas flores de plástico. Não vamos varrer a cidade só onde o padre passa.
Copiemos, sim, mas copiemos o que precisa ser copiado.
E, aproveitando, parabéns ao Piquet. E parabéns aos piquetes que fazem os indignados pelas ruas, ainda, bem sujas na cidade limpa.

João Aranha

01/08/2007

Publicado em: Crônicas

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