NÃO ME CALO PARA NÃO CALAR-TE

Última flor
A cada dia
Mais longe do Lácio
Mais perto da sepultura
Ouro nativo
Para tantos inativos
Esplendor ignorado
Por incultas e não belas
Bruta é tua morte
De um recorte triste
Mas ainda vejo-te em riste
Maltratam-te
Ignoram-te
Não te ouvem
Tampouco passam os olhos
Estes meus, apaixonam-se
Oro para que não sumas
E que não matem
A chama de tua vela
Que nunca sejas velada
Muitos reis fizeram-te plena
Um príncipe, não maquiavélico
Há tantos anos
Tão parnasianos
Fez-te mais culta
A última flor mais bela
De jardins da infância
Até o leito de um ser idoso
Versos de tom pomposo
Fico orgulhoso
Por abrir janelas
Olavo, teu príncipe
Um entre tantos
Ergueu-te
Entre tantos flertes
De língua, verbetes
Paira uma tristeza
Da prematura incerteza
De não mais um dia ver-te
Vossa mercê
Espero que levante
E com tanta gente infante
De modismos e armadilhas
Estão matando tuas cedilhas
Não espero um ponto final
Quero que grites ao jornal
Local e mundial
Mostre teu idioma
Filho de Roma
Grite com aspas e travessões
Tuas sofridas agressões
Linha por linha
Espero que não definhas
Agradeço
Desde meu pueril começo
Que mostrou minha Pátria
A Mátria
A Fátria
Que precisa de mais bandeira
Que erga com exclamação
Tua língua é meu poema
Minha língua, um dilema
Onde quer que vá
Não esqueça de teus filhos
Que em seus trilhos
Sempre atentos
Ao Be-A-Bá
Última flor
Desejo que continues
E que o desprezo
Não seja impune
Falemos a nossa língua
Que sempre amamos
Que de tão linda
Sempre nos une.

João Aranha

11/09/2007

Publicado em: Poemas

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